Como uma plataforma ou gestora de patrimônio pode oferecer uma stablecoin de real aos clientes
Como gestoras, assessores e plataformas podem oferecer uma stablecoin de real a clientes em modelo B2B2C, com o cuidado regulatório que o tema exige.
Gestoras de patrimônio, assessores de investimentos, multi-family offices e plataformas distribuem produtos de reserva de liquidez a clientes de alta renda. Uma stablecoin de real lastreada em títulos públicos federais entra nessa prateleira por um caminho específico, o B2B2C, e com uma regra de linguagem que não pode ser ignorada. A Crown emite o BRLV e o distribui também por esse modelo.
O que o distribuidor oferece ao cliente
O produto é uma reserva de liquidez em reais lastreada em títulos públicos federais, com o principal disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem valor mínimo, somada ao Programa de Recompensas da Crown, um programa de fidelidade. O distribuidor pode oferecer o BRLV por compra direta ou embutido em produtos customizados. É a mesma lógica de reserva de liquidez que aparece na gestão de tesouraria em reais, aplicada ao cliente pessoa física.
O modelo B2B2C na prática
Há um exemplo público. A Nexa Finance, plataforma digital de investimentos, passou a oferecer o BRLV a seus clientes em agosto de 2026, em modelo B2B2C, tanto para compra direta quanto embutido em produtos customizados para family offices e investidores institucionais. O fundador da Nexa Finance, Lucas Danicek, declarou à imprensa que “a chegada do BRLV diversifica nossa cesta de produtos com uma alternativa eficiente e segura” (Cointelegraph Brasil, 09/08/2026). A operação com carteiras externas também é contemplada: clientes qualificados acumulam pontos sobre saldos mantidos em carteiras registradas junto à Crown, inclusive externas, e resgatam os pontos pela interface ou por API.
A regra de linguagem regulatória
Este é o ponto sensível para quem distribui. O BRLV não paga juros nem rendimento, e os pontos do programa não são rendimento: são benefício de fidelidade. Nenhum material pode prometer rentabilidade. O produto não é depósito bancário e não é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos. O que se pode dizer é que o lastro gera rentabilidade e que a Crown financia o programa de pontos com essa rentabilidade, sem publicar percentuais. A base dessa distinção está em como funciona o programa de recompensas e no que a regulação permite uma fintech comunicar.
O que o distribuidor precisa ter em mãos
O cliente final pergunta sobre lastro, resgate e tributação. A venda do Token de Recompensas pode configurar ganho de capital, e cada cliente é responsável por apurar e recolher os tributos, assunto detalhado em tributação de uma stablecoin de real e dos pontos. A Crown não presta assessoria tributária, jurídica ou financeira.