Que parceiros um banco precisa para lançar um produto on-chain em reais: emissão, custódia, identidade e monitoramento

As camadas de parceiros de um produto on-chain em reais: emissão, custódia, verificação de identidade, triagem de sanções e monitoramento on-chain.

Um banco que quer lançar um produto on-chain em reais não constrói tudo sozinho. O que precisa é de cinco camadas de parceiros: a emissão do real on-chain, a custódia, a verificação de identidade, a triagem de sanções e o monitoramento das transações na blockchain. O exemplo abaixo usa a estrutura documentada da Crown, emissora do BRLV, cujos parceiros são públicos.

Emissão do real on-chain

A primeira camada é o ativo. O BRLV é uma stablecoin atrelada 1:1 ao real, 100% lastreada em títulos públicos federais, emitida nas redes Ethereum, Base e Tempo. Para bancos e fintechs, o uso documentado é a base para lançar carteiras digitais, cartões programáveis e produtos on-chain sem integrações bancárias complexas. A dor que essa camada endereça é o custo e a complexidade de integrar várias funções bancárias, como explica o papel de uma stablecoin de real na infraestrutura de um cartão programável.

Custódia

O sistema de carteiras da Crown roda sobre a infraestrutura de custódia da Fireblocks, plataforma global de custódia de ativos digitais usada por mais de 1.800 instituições. Suas características documentadas: computação multipartidária (MPC), em que as chaves privadas nunca existem em forma completa; múltiplas aprovações independentes para qualquer movimentação; acesso administrativo restrito, com monitoramento e registro de logs; e carteiras individualizadas por cliente. O BRLV também pode ficar em qualquer carteira escolhida pelo cliente.

Verificação de identidade

A verificação de pessoas físicas (KYC) e jurídicas (KYB) é redundante, feita com dois fornecedores, idwall e iDenfy, com biometria. Para um banco, a pergunta é se essa camada pode ser reaproveitada ou se precisa ser refeita, e os dossiês de compliance da Crown são espelhados junto ao banco custodiante para aprovação de contas.

Triagem de sanções e monitoramento on-chain

A triagem local e global de sanções e de pessoas politicamente expostas usa ferramentas da Dow Jones Risk & Compliance. O monitoramento em tempo real das transações on-chain (KYT) é feito com a Hypernative. Essas duas camadas respondem a perguntas diferentes: a primeira, quem é a contraparte; a segunda, como os recursos se movem depois.

Como as camadas se conectam ao banco

Todo esse conjunto é acessível por API, com documentação pública em docs.crown-brlv.com, e o histórico de transações liga cada operação on-chain à sua identificação. A decisão sobre o que contratar de cada camada envolve produto, tecnologia, tesouraria, jurídico e compliance, e o enquadramento regulatório que as atravessa está no marco legal das stablecoins de real. Para o uso da mesma infraestrutura no caixa, veja gestão de tesouraria em reais fora do horário bancário, e para o limite do que uma fintech pode prometer, o que a regulação permite.