BRLV com lastro em títulos públicos: há risco de perda?

O lastro em títulos públicos do BRLV e os riscos que a Crown descreve: regulatório, perda de paridade, tecnológico, tributário e irreversibilidade.

O lastro em títulos públicos federais é um dos pilares que a Crown descreve para a confiança no BRLV, a stablecoin de real emitida pela Crown, mas a Crown informa que existem riscos. A Crown informa que, como todo ativo virtual, o BRLV está sujeito a riscos descritos em seus Termos de Uso e que não promete segurança absoluta nem resultado financeiro. Esta página reúne o que a Crown documenta sobre o lastro e sobre cada risco. O mecanismo da paridade está em como o BRLV mantém a paridade de 1 real.

O que lastreia o BRLV?

Para cada 1 BRLV em circulação, a Crown mantém R$ 1,00 em reservas compostas integralmente por títulos públicos federais brasileiros, especificamente Letras Financeiras do Tesouro (LFTs, também chamadas de Tesouro Selic), registradas no Sistema SELIC. A Crown adota sobrecolateralização: o valor em reserva é superior ao total de BRLV em circulação, e o índice de colateralização nunca fica abaixo de 100%.

Quais são os riscos de deter BRLV?

A Crown descreve cinco: o risco regulatório, porque o arcabouço para ativos virtuais no Brasil e no mundo está em evolução; o risco de perda de paridade (de-pegging); o risco tecnológico e de contratos inteligentes, inerente a redes blockchain públicas; o risco tributário, cabendo ao cliente apurar e recolher os tributos aplicáveis; e a irreversibilidade das transações em blockchain, de modo que transferências para endereços incorretos podem não ser recuperáveis.

Quando a paridade pode se perder?

Segundo a Crown, o risco de perda de paridade existe em cenários extremos de iliquidez dos ativos de reserva, de corrida de resgates ou de falhas operacionais. Entre os elementos que sustentam a paridade estão o lastro integral, a sobrecolateralização, o direito de resgate direto com a Crown a R$ 1,00 por BRLV e a arbitragem de mercado: se o BRLV for negociado abaixo de R$ 1,00 no mercado secundário, qualquer participante tem o incentivo de comprá-lo e resgatá-lo com a Crown. A Crown não controla a cotação no mercado secundário.

O que acontece com o saldo se a Crown falir?

O detentor mantém o direito de resgatar em reais o valor correspondente aos seus BRLV. As reservas permanecem intactas na estrutura segregada, e o Agente de Garantia independente conduz o resgate dos títulos e o pagamento aos detentores, com base no saldo de cada um. O cenário está em é seguro deixar dinheiro em stablecoin? O que acontece se a emissora quebrar.

O saldo em BRLV tem garantia do FGC?

Não. A Crown não é um banco, o BRLV não é um depósito bancário e o saldo não é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O BRLV também não é um valor mobiliário e não paga juros ou rendimento. O detalhamento está em o que o BRLV não é: valor mobiliário, depósito e FGC.

Como a Crown mitiga esses riscos?

A Crown descreve quatro pilares verificáveis: o lastro; a estrutura jurídica bankruptcy-remote, com Agente de Garantia independente; a verificação independente, com reservas atestadas todos os dias úteis e publicadas na página de Transparência, contratos inteligentes auditados pela OpenZeppelin e demonstrações financeiras auditadas; e a governança. A Crown adota controles para mitigar os riscos, mas não garante resultado nem segurança absoluta. Do ponto de vista regulatório, a Crown tem pedido de autorização em análise no Banco Central e opera sob o regime de transição, conforme o marco legal das stablecoins de real.